Município de Paredes de Coura
Universidade do Minho
O município de Paredes de Coura localiza-se na sub-região do Alto Minho, inserida na Região Norte (NUTS II) de Portugal, e integra a Euroregião Galiza - Norte de Portugal. O território caracteriza-se por uma forte componente florestal, que cobre aproximadamente 65 % da sua superfície, e por uma identidade rural marcada por práticas agrícolas tradicionais, nas quais a água assumiu um papel central na organização da paisagem. O rio Coura, elemento estruturante do concelho, e a considerável rede hidrográfica que o acompanha, moldaram os modos de vida, os usos do solo e os ecossistemas locais, sendo também determinantes na definição da infraestrutura verde local. As características ambientais do concelho, aliadas à crescente exposição a riscos climáticos partilhados na Euroregião Galiza-Norte de Portugal, evidenciam a necessidade urgente de uma abordagem integrada para adaptação e mitigação das alterações climáticas.
Simultaneamente, o enquadramento regional e europeu reforça a responsabilidade local na implementação de respostas que valorizem os recursos endógenos, promovam a coesão social e contribuam para os
objetivos globais de sustentabilidade. Neste contexto, surge a Estratégia Local de Infraestruturas Verdes e Adaptação às Alterações Climáticas (ELIVAAC), seguindo a metodologia do Guia de Implementação
de uma ELIVACC para a Euroregião Galiza-Norte de Portugal (2025), ambas desenvolvidas no âmbito do InterReg POCTEP - GreenGap. A estratégia é concebida como um conjunto de linhas orientadoras que
visam orientar o município rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável, resiliente e participativo. No que diz respeito ao quadro normativo e institucional, a ELIVAAC integra referências políticas e regulamentares a diferentes escalas, garantindo o alinhamento com as diferentes estratégias e guias relevantes para a adaptação às alterações climáticas.
O objetivo principal é orientar o município rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável, resiliente e participativo, garantindo o alinhamento com as diferentes estratégias e guias relevantes para a adaptação às alterações climáticas.
A metodologia adotada para o diagnóstico territorial de Paredes de Coura, segue as diretrizes estabelecidas no Guia de Implementação de uma ELIVACC para a Euroregião Galiza–Norte de Portugal (2025).
Propõe-se uma análise multiescalar que considera, simultaneamente, as dimensões ecológicas, funcionais, sociais e culturais do território. Relativamente ao território biofísico, a metodologia contempla o estudo do relevo, clima, ecossistemas e serviços de ecossistemas, permitindo identificar áreas de alto valor ecológico, zonas vulneráveis e estruturas territoriais estratégicas, como bacias hidrográficas e corredores ecológicos. Em Paredes de Coura, esta análise recorreu à cartografia temática, permitindo caracterizar o capital natural do município e identificar áreas que requerem proteção ou restauro. Definem-se cinco zonas prioritárias: zonas protegidas, já oficialmente reconhecidas; zonas vulneráveis, ambientalmente significativas mas sem proteção legal; zonas de conectividade, que funcionam como corredores ecológicos para promover a biodiversidade e o fluxo genético; zonas tampão, que atuam como áreas de transição para reduzir impactos de atividades humanas; e zonas de oportunidade, áreas que, apesar de possuírem usos diversos, apresentam potencial para renaturalização ou melhoria ecológica e socia. No que se refere ao ‘território funcional’, a metodologia orienta a avaliação de infraestruturas, equipamentos e serviços. A análise focou-se não só na cobertura desses sistemas, mas sobretudo na sua integração potencial numa infraestrutura verde multifuncional, capaz de aumentar a resiliência do território. Relativamente ao território vivido, trazendo a dimensão humana e sociocultural, incluiu-se a análise da estrutura demográfica, desigualdades territoriais, hábitos ambientais, valores simbólicos e património. Integraram-se ainda os resultados do mapeamento participativo realizado nas ações participativas realizadas entre Abril e Maio de 2025, permitindo que um pouco da perceção da população sobre o território fosse incorporada no diagnóstico.